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A importância da indústria química para o Brasil e a região do Grande ABC

A cadeia produtiva do setor químico, petroquímico e plástico gera em torno de 19% do valor agregado à indústria do Grande ABC e 11% da indústria paulista, conforme estudos realizados pela MAXIQUIM, em parceria com a Frente Parlamentar em Defesa da Competitividade do Setor Químico e Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC , sendo que os municípios de Santo André e Mauá são os maiores beneficiários deste setor, tanto na geração de empregos e renda, quanto na arrecadação de tributos e financiamento das políticas públicas. Cerca de 50% da arrecadação de ICMS de Santo André é proveniente da indústria química, enquanto para Mauá a representação é de mais de 65%! Tais números demonstram a importância da competitividade dessa cadeia produtiva para a região do Grande ABC.
Além de ser essencial para a nossa região, o setor químico, petroquímico e do plástico é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil como um todo. Estamos na sétima posição do mundo, no encalço da 6ª posição e, assim, estamos juntos com a França e atrás da Coréia, Alemanha, Japão, Estados Unidos e China. O nosso faturamento é da ordem de US$135 bilhões e a China está próxima de U$1 trilhão! O problema é que a diferença entre importações e exportações brasileiras neste setor chega a cerca de US$ 30 bilhões e, se considerarmos os produtos acabados, o déficit da nossa balança comercial chegará a mais de U$55 bilhões.
Entretanto, essa cadeia produtiva brasileira poderia ser superavitária e, em médio prazo, poderia disputar a quarta posição com a Alemanha (faturamento de U$229 bilhões/2003). E esta busca não é apenas um sonho, porque poderia se transformar em realidade se houvessem políticas públicas adequadas e foco neste setor. O Brasil tem matéria prima do petróleo do pré-sal, diversidade biológica e minerais, mercado consumidor dos produtos derivados em abundância e em expansão. Basta observarmos o setor do agronegócio, onde a grande maioria dos defensivos agrícolas, dos fertilizantes, dos medicamentos animais são importados ou produzidos aqui com moléculas desenvolvidas em outros países, sob autorização e o pagamento de $bilhões em royalties. Portanto, os valores dos grãos e carnes exportadas são anulados pela importação de produtos químicos. Este fato teria condições de ser diferente, através do investimento em inovação, ciência e tecnologia; desburocratização da ANVISA; focar o investimento na infraestrutura necessária e em educação profissional; desoneração da produção, conscientização sobre a importância do plástico e da química em geral para o cotidiano das pessoas e a demonstração da possibilidade do desenvolvimento da química ambientalmente sustentável.
Voltando aqui para a nossa querida região do Grande ABC, penso que temos todas as condições materiais, objetivas ou locacionais para sermos líderes na cadeia produtiva do setor químico, petroquímico e do plástico. Aqui estão instalados o Polo Petroquímico e a Refinaria de Capuava, temos infraestrutura de transportes; proximidade com o porto de Santos; mão de obra qualificada; mercado consumidor próximo; Universidades; setor integrado (a primeira, segunda e terceira gerações integradas). Por isso, é necessária a unidade regional através do Consórcio Intermunicipal e da Agência de Desenvolvimento Econômico. É preciso escolher essa cadeia produtiva como prioridade ao lado do setor automobilístico (uma boa parte das peças dos veículos é de plásticos!). Entretanto, não podemos deixar a especulação imobiliária tomar conta das nossas áreas industriais! É preciso estarmos atentos com as leis de zoneamento e os planos diretores municipais! É necessário tomar cuidado com os entornos do Polo Petroquímico para evitar ocupações e riscos desnecessários! É essencial a criação de políticas públicas e a busca de condições de competitividade.

Pesquisa realizada em novembro de 2003 pela MAXIQUIM. Informamos que a maioria dos dados utilizados neste artigo é fundamentado neste estudo.

Dr. Vanderlei Siraque é proprietário da VS Assessoria e Consultoria Empresarial. Foi articulador e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Competitividade do Setor Químico, Petroquímico e Plástico da Câmara dos Deputados- nov.2011 janeiro-2015.

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