597 Views |  Like

Dra. Maria Bernadette Zambotto Vianna

Presidente da FUABC fala sobre os desafios para inovar e otimizar a gestão

À frente da Fundação do ABC desde fevereiro último, para gestão até dezembro de 2017, Dra. Maria Bernadette Zambotto Vianna é médica proctologista, gastroenterologista, colonoscopista, cirurgiã geral e do trauma, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e pós-graduação em Gestão Hospitalar.
Formada pela Universidade de Santo Amaro – UNISA, a médica, no âmbito administrativo, foi diretora geral do Hospital Municipal de Paulínia -SP, coordenadora médica e médica intervencionista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU de São Bernardo do Campo, e respondeu ainda pela criação, implantação e coordenação do Núcleo Interno de Regulação – NIR do Centro Hospitalar Municipal de Santo André, entre outras atribuições. Confira o que ela disse à MercNews.

Por Mariana Fanti

MN – Dra. Há quanto tempo existe, com que objetivo foi criada e como funciona a parceria entre cidades, da Fundação ABC?
Maria Bernadette Zambotto Vianna – A Fundação do ABC é uma entidade filantrópica de assistência social, saúde e educação. Foi criada em 1967, instituída como fundação sem fins lucrativos pelos municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano. É declarada instituição de Utilidade Pública nos âmbitos federal, estadual e na cidade-sede de Santo André. Com o passar dos anos, a Fundação do ABC começou a ser vista como parceira estratégica de prefeituras e do Governo do Estado para a gestão e assistência em saúde, firmando convênios e contratos de gestão com o Poder Público.

MN – A sra. acaba de ser eleita para a presidência. Até quando vai seu mandato?
MBZV – O mandato refere-se a 2017.

MN – O período é curto. Este é um mandato tampão? E o que terá como princípio de atuação?
MBZV – Tenho um ano de mandato e, de fato, é pouco tempo. Entretanto, é tempo suficiente, apoiada pelo meu vice-presidente, Dr. Wagner Kuroiwa, e pela secretária geral, Dra. Adriana Berringer, para trazer para esta Fundação toda honra, toda seriedade, todo compromisso que ela tem diante da coisa mais importante e que todos nós temos aqui como compromisso, que é a atenção, a assistência às pessoas.
Assumo uma grande responsabilidade à frente da FUABC e pretendo honrar a confiança em mim depositada e não falhar. Eu me comprometo a fazer o melhor, pois, nós não podemos perder o horizonte de quem depende de nós, lá na ponta, lá na assistência. Com toda a rede de entidades mantidas que temos hoje, nós temos o compromisso de atender essas pessoas da melhor maneira possível. Eu, no papel de médica, quando chamo um paciente pelo nome, olho nos olhos dele e atendo, eu já criei um vínculo e tenho a responsabilidade de atender essa pessoa com o melhor que eu posso oferecer. Quero trazer esse mesmo compromisso para milhões de pessoas, nos olhos das quais eu não vou poder olhar. Tenho certeza que, dentro da gestão que nós iremos fazer, essas pessoas se sentirão abraçadas nos seus problemas. Nós estamos aqui para resolvê-los, dentro das melhores práticas de gestão, modernas e, sobretudo, honestas.

MN – A que cidade coube a indicação desta vez? A senhora até então ocupava algum cargo na respectiva Prefeitura?
MBZV – Minha indicação à Presidência da FUABC é do prefeito de Santo André, Paulo Serra. Sou secretária adjunta de Saúde da Prefeitura de Santo André.

MN – A partir da sua proposta inicial, a verdade é que a Fundação cresceu muito. Hoje, qual é a esfera de atuação da entidade? Transcende a região?
MBZV – Sim. Com o passar dos anos, a Fundação do ABC se tornou parceira estratégica de prefeituras e do Governo do Estado na gestão e assistência em saúde. Hoje administramos 18 hospitais, a Faculdade de Medicina do ABC e a Central de Convênios, que cuida de mais de 40 planos de trabalho específicos. Incluindo as parcerias com o Governo do Estado, hoje atuamos em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá, Franco da Rocha, Caieiras, Guarulhos, Francisco Morato, Osasco, São Paulo, Mogi das Cruzes, Praia Grande, Santos e Guarujá.

MN – O que administra e conta com quantos funcionários?
MBZV – A Fundação do ABC conta com 23 mil funcionários diretos. As unidades gerenciadas são: Faculdade de Medicina do ABC, Hospital Estadual Mário Covas, de Santo André; Hospital da Mulher de Santo André, AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Santo André, AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Mauá, AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Praia Grande, Complexo de Saúde de Mauá, Complexo Hospitalar de São Bernardo, Complexo Hospitalar de São Caetano, Complexo Hospitalar Irmã Dulce, de Praia Grande; Instituto de Infectologia Emílio Ribas II, do Guarujá; Hospital Estadual de Francisco Morato Prof. Carlos da Silva Lacaz, Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário e Hospital Municipal Central de Osasco, Antonio Giglio, além do Contrato de Gestão São Mateus/SP e Central de Convênios.

MN – Apesar desse volume de trabalho, a senhora pensa em expandir alguma das áreas de atuação?
MBZV – Inicialmente, nosso objetivo é melhorar os contratos vigentes. Já estamos revendo todas as parcerias, a fim de aumentar a sustentabilidade financeira da Fundação do ABC e garantir, dessa forma, que a entidade possa continuar a crescer e a se desenvolver.

MN – A Fundação mantém parceria, tem apoio ou ajuda financeira do Estado?
MBZV – A Fundação do ABC não recebe ajuda financeira de ninguém. A Fundação do ABC presta serviços em saúde através de convênios e contratos de gestão. O Governo do Estado é um grande parceiro da FUABC e mantém contrato para que administremos diversos equipamentos estaduais, como o Hospital Estadual Mário Covas, por exemplo.

MN – Qual o orçamento anual da entidade?
MBZV – É importante esclarecer que a Fundação do ABC não gera dinheiro. Ela gere dinheiro. Dessa forma, a entidade faz a gestão de aproximadamente R$ 2,3 bilhões ao ano. Esses recursos são “carimbados”, ou seja, são repassados pelas prefeituras parceiras e pelo Governo do Estado especificamente para a gestão de determinado contrato ou convênio. Além disso, os repasses do Poder Público à Fundação do ABC são baseados no cumprimento de metas contratuais, o que confere às parcerias transparência e alta produtividade, já que somente serviços efetivamente executados, são pagos.

MN – Hoje a palavra de ordem é gestão, ou melhor, gestão responsável. Em seu discurso de posse, em fevereiro último, a senhora disse “que irá fazer ampla revisão de processos, análise de projetos e parcerias, verificar o escopo de todos os contratos e cortar gordura”. A senhora já deu início a essa revisão?
MBZV – Estamos estudando todos os pontos que podem ser modernizados e melhorados, pois precisamos fazer mais e melhor, com cada vez menos recursos. Nosso maior desafio é inovar e otimizar a gestão. Dessa forma, já está em andamento uma reforma administrativa interna, que visa, justamente, a alavancar os processos de gestão, melhorar o controle interno, reduzir gastos desnecessários e aproveitar melhor os recursos disponíveis, tudo isso sem prejudicar a assistência à população e valorizando o esforço de nossos colaboradores. O desafio é grande, mas, nossa equipe é extremamente capacitada, dedicada e preparada para superar as adversidades e obstáculos que encontraremos pelo caminho. Tenho certeza de que vamos conseguir cumprir nossa missão e honrar a confiança depositada pelo prefeito Paulo Serra.

Compartilhar isso

Comentário

Comentários