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Paulo Henrique Fontoura Faria:

à frente do CPA-M6, ele comanda o policiamento na região

Ele é bacharel, mestre e doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco; bacharel e mestre em Direito; licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia.
Aos 49 anos, casado e pai de dois filhos, Paulo Henrique Fontoura Faria assumiu no último dia 17 de março o Comando de Policiamento de Área Metropolitano 6 (CPA-M6) – com cerca de 3.500 Policiais Militares, ocupando o posto de Coronel da Polícia Militar, entidade na qual atua há 32 anos. Faria veio transferido da capital, onde ocupava o posto de Chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento da Capital, para assumir o cargo até então comandado por seu antecessor, Coronel Marcelo Cortez Ramos de Paula – que permaneceu por dois anos e dois meses à frente do CPA-M6.
Como morador de Santo André, Cel. Faria destaca entre suas metas, garantir o aumento da sensação de segurança na região, reduzir os índices criminais e trabalhar em parceria com as demais forças de segurança e administrações municipais. A seguir, a entrevista exclusiva com o novo comandante.

Por Mariana Fanti

MercNews – Coronel, de que forma é possível aproveitar sua experiência como chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento da Capital, no comando do CPA-M6?
Paulo Henrique Fontoura Faria – Como chefe do Estado Maior do CPC eu era responsável pela administração do Comando, porque tinha um coronel mais antigo do que eu, que era o Comandante. Vejo minha vinda para o ABC com muita alegria, porque é um grande desafio lidar com esse CPA da região onde trabalhei por onze anos, ocupando os postos de Tenente e Capitão – nove anos no CPA-M e dois anos no 30º Batalhão, em Mauá. Depois fui para São Paulo exercer outras funções, quando fui promovido ao posto de Major. Lá permaneci como Major Tenente Coronel e agora, após a promoção a Coronel, volto para a região muito contente.

MN – Quais os principais desafios de comandar a PM no ABC?
PHFF – Os desafios são muitos, são sete municípios e seis batalhões. Estou fazendo uma radiografia da região e conversando com os comandantes de Batalhão, pois nossa finalidade é priorizar os indicadores criminais que estão em alta, com ações e operações direcionadas, objetivando aumentar a sensação de segurança na região.

MN – Quais índices despontam hoje na região: continuam sendo roubo e furto?
PHFF – Cada município tem sua característica dentro desta macrorregião do Grande ABC, então não dá para falar de forma global; por isso, estamos analisando caso a caso, município por município, estou visitando cada Batalhão e ouvindo os comandantes para só depois traçar uma linha de trabalho própria para cada realidade.

MN – O senhor poderia adiantar algumas ações?
PHFF – Estamos seguindo o trabalho do meu antecessor. Nossa finalidade é sempre aperfeiçoar o trabalho anterior e traçar novas ações, quando tivermos uma noção exata do que está acontecendo. Por enquanto estamos dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo meu antecessor.

MN – O senhor diria que o Cel. Cortez deixou a Casa em ordem, então?
PHFF – Sim, com certeza deixou a Casa em ordem. E nosso objetivo é continuar com o trabalho desenvolvido pelo Cel. Cortez, e é claro, procurando sempre a melhora dos índices operacionais e criminais.

MN – O senhor tem ideia de ações efetivas para áreas de divisa de município?
PHFF – Eu vou conversar com os comandantes de Batalhão que estão há anos na região, para traçar os melhores mecanismos de combate a este tipo de violência. Enquanto isso manteremos os programas anteriores, como o combate a roubo e furto de veículo. Também temos operações de envergadura que estão em andamento, como a Cavalo de Aço – apreensão de motocicletas irregulares -, e a Força Total – operação com as forças táticas em determinada área, visando ao combate do indicador que está em alta. Mas, neste primeiro momento, daremos continuidade ao que foi iniciado pelo meu antecessor. Hoje temos um novo comandante geral na PM, que estabelecerá novas diretrizes, e deveremos cumpri-las regionalmente. No entanto, nossa gestão estará pautada principalmente na valorização do Policial Militar, no controle dos indicadores criminais e na melhoria da sensação de segurança da população. Esse é nosso objetivo e, para alcançá-lo, traçaremos ações e operações específicas.

MN – Como o senhor vê a bonificação que é dada aos policiais baseada nos resultados dos índices criminais?
PHFF – Acho válido. Durante meu comando premiaremos nossos Policiais Militares, com láureas de mérito pessoal. Realizamos mensalmente um café com os comandantes, quando destacamos policiais nas principais ocorrências e fornecemos um certificado de honra ao mérito. Ou seja, ações que visam sempre a valorizar o bom policial.

MN – Quais são as metas da sua gestão?
PHFF – Diminuir indicadores criminais e aumentar a sensação de segurança. Não dá para fazer uma mesma ação nos sete municípios, porque temos que respeitar as peculiaridades de cada um deles, e o CPA-M6 será o grande coordenador disto.

MN – O senhor chegou em um momento de transição de prefeituras. Como está seu diálogo com os chefes dos Executivos? De que forma as prefeituras podem colaborar com o trabalho da PM?
PHFF – Pretendemos sempre trabalhar em parceria com as prefeituras, afinal nosso objetivo é um só, garantir a sensação de segurança para a população. A partir do momento que tivermos os diagnósticos dos problemas de cada região, conversaremos com as prefeituras e trabalharemos em conjunto. As prefeituras são nossas grandes parceiras. Esse diálogo ainda não foi feito por mim pessoalmente, porque ele já havia sido estabelecido pelo Cel. Cortez. Mas, com certeza nosso comando também visa a uma parceria com as sete prefeituras.

MN – Como vê a parceria com as Guardas Civis Municipais?
PHFF – A Polícia Civil tem suas atribuições, assim como a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal, todos com o objetivo em comum, que é essa sensação de segurança para o munícipe. Então vemos as guardas como parceiras, e claro que uma sempre colabora com a outra. O objetivo do Estado e das prefeituras é o mesmo: diminuição dos índices criminais.

MN – Quais ações a Polícia Militar desenvolve em conjunto com Polícia Civil?
PHFF – Temos três seccionais na região: Santo André, São Bernardo e Diadema. Nossa ideia é trabalhar em colaboração com elas; ambas são do Estado, mas cada uma desempenha sua função. Desde 2001 temos um encontro mensal, quando reunimos os três delegados, os comandantes de Batalhão e o coronel em exercício é quem preside. É quando acontece a análise dos índices criminais na região e são estabelecidas ações entre comandantes e seccionais.

MN – Qual a principal atribuição de um coronel da PM no CPA-M6?
PHFF – Como comandante, minha principal atribuição é ser um facilitador para meus comandantes de Batalhão. Enquanto comandante do CPA-M6, serei o grande coordenador das ações.

MN – Ronda escolar é uma demanda muito importante para a população da região. O que pensa a respeito?
PHFF – Ronda escolar está no pacote do diagnóstico que estamos fazendo. Mas ela é, sim, uma prioridade para nós, porque hoje os pais trabalham fora e os filhos ficam bastante tempo na escola; então, o aluno tem que estar bem protegido e os pais têm que ter certeza que seus filhos estão bem. Em resumo, o policiamento escolar é, sim, uma prioridade para nós. Assim que traçarmos nosso diagnóstico intensificaremos nossas ações nas escolas com maior carência. Outro objetivo é estreitar o relacionamento entre os comandantes de área à comunidade local.

MN – O senhor gostaria de deixar uma mensagem para os leitores da MercNews?
PHFF – Estou muito contente e motivado com esse novo desafio, e a população pode contar conosco. Estamos aqui para fazer um trabalho em prol da comunidade. Somos moradores da comunidade e, portanto, usuários do nosso próprio trabalho.

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