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O MOITA

Confesso que sempre tive uma simpatia muito grande pela caricatura do “moita” – conforme ilustrado no desenho desta página -, a ponto de, quando iniciei a dar aulas nos idos dos anos 60, sempre a estampava no quadro negro, com os recados do dia. Contudo, daí a aceitar as atitudes dele, é muito diferente. E hoje, passados mais de 50 anos, cada dia mais me defronto com “eles”.
Ah! Você deve estar curioso sobre o que estou falando, não é? Então, vou recapitular um artigo que publiquei há 20 anos, mas cada vez mais atual e no qual utilizo um interlocutor virtual – que um amigo até hoje acha que é ele, rs -. Vamos conferir?
“Este artigo faz parte do meu livro “Vivendo Melhor – Dito, redito e pouco aprendido” e confesso que não foi escrito direcionado para ninguém em especial; contudo, meu amigo leitor fique à vontade para vestir a carapuça, caso se enquadre com você. O autoconhecimento é ainda a melhor das terapias, assim não tenha medo de se expor. A proposta é ajuda-lo a sair desta.
– Sabia que ia sobrar pra mim, Claudinei, só basta agora você dizer que eu também sou um ‘moita’!
– Isso com certeza você não é, você pode ser um ‘mala’, mas não um ‘moita’.
– Já tinha ficado feliz por não ser enquadrado na categoria ‘moita’, mas, me sobrou o ‘mala’. Afinal, do que você está falando? – o que é ‘moita’ e o que é ‘mala’?
– Bom, quanto ao ‘mala’, vamos falar na próxima edição. Hoje quero falar sobre os ‘moitas’, da vida. Na minha opinião, o ‘moita’ possui o pior tipo de comportamento que o ser humano pode ter. São pessoas que atravancam o progresso, irritam os colegas, atrapalham o dia a dia de todos que estão à sua volta, enfim, são pessoas inconvenientes.
– Poxa, Claudinei, ainda bem que eu sou ‘mala’, mas não sou ‘moita’.
– É que você não sabe o que te aguarda, rsrs.
– Nem quero pensar. Mas, explique por que o ‘moita’ é ‘moita’.
– Ok. Já deu para perceber que ‘moita’ é aquele indivíduo que não sai de ‘cima do muro’, não toma decisões para nada e, com medo de desagradar, nunca diz ‘não’, a nada. Sempre concorda com tudo, mas, na maioria das vezes não cumpre o que promete, por mais insignificantes que sejam as coisas. Você, meu amigo leitor, deve ter algum amigo ou conhecido que quer sempre agradar a todos e no final atrapalha mais do que ajuda; e eu pergunto: será que esse não é o seu caso, também?
Se for, não se preocupe, a maioria das pessoas que possui este tipo de comportamento acaba sofrendo um processo de baixa autoestima muito forte e cria para si uma dissonância cognitiva.
– Espera aí, Claudinei! Já começou a complicar!
– Calma, vou explicar. Dissonância cognitiva é a reação de, na maioria das vezes, desconforto que você sente quando pode dizer ‘não’ para alguma coisa e diz ‘sim’ ou vice-versa. Resumindo, pessoas que não conseguem dizer ‘não’ são pessoas pouco assertivas, ou seja, não possuem assertividade ou autoaceitação e, daí, a necessidade de querer agradar a todos.
– Eu sou assim, Claudinei, o que tenho de fazer?
– Quer dizer que você também vestiu a carapuça, meu amigo?
– É, cheguei à conclusão que além de ‘mala’ sou ‘moita’, acho que vou me suicidar.
– Que é isso, não precisa ser tão trágico assim; saiba que, infelizmente, você faz parte de um universo enorme de pessoas que sequer desconfiam que são ‘moitas’. A parte boa é que o melhor remédio para este tipo de cura é a autoaceitação, e uma vez você sabendo que é assim, poderá mudar.
– Mas, fazendo o quê?
– Simplesmente dizendo ‘não’, doa a quem doer, mesmo que seja em você.
Experimente, principalmente com os filhos, se os tiver. Um ‘não’ bem postado poderá significar a diferença entre sucesso e fracasso no futuro deles.
Claro que sempre devemos usar o bom senso e a lógica; não leve ao pé da letra e saia dizendo ‘não’, a tudo e a todos. Responda às suas mensagens, não deixe ninguém te esperando além do necessário e, principalmente, tenha ética em tudo o que fizer e sempre tenha respeito com o seu próximo, não importando a ordem hierárquica.
Saia de cima do muro, viva e deixe os outros viverem”.

Um forte abraço.

Claudinei Luiz

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