17 Views |  Like

Região sedia a 81ª edição dos Jogos Abertos do Interior

Região sedia a 81ª edição dos Jogos Abertos do Interior

 

Por Mariana Fanti

O Ginásio Poliesportivo Adib Moyses Dib, em São Bernardo do Campo, foi a sede de abertura do 81º Jogos Abertos do Interior, que aconteceu entre 17 e 26 de novembro último, em cinco cidades da região – Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Mauá e Ribeirão Pires.-, por iniciativa do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, presidido pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando.
Segundo o secretário executivo do Consórcio, Fabio Palacio, o modelo inovador proposto pelo Consórcio possibilitou que os melhores equipamentos esportivos da região fossem disponibilizados, garantindo a qualidade das disputas em todas as modalidades e a redução de custos. “O sucesso do evento neste ano comprova que com a união de esforços podemos conquistar grandes resultados”, afirma.
A competição reuniu 12 mil atletas, que compuseram delegações de 190 cidades do interior do Estado de São Paulo, além de mais três mil pessoas incluindo comissões técnicas, dirigentes e equipe de apoio. Entre os competidores, diversos nomes de peso do esporte nacional e internacional, como os ginastas Arthur Zanetti e Daniele Hypólito, o ex-mesatenista Hugo Hoyama – atual técnico da seleção feminina brasileira de tênis de mesa, entre outros.
Após quase dez dias de competições, os Jogos tiveram seu encerramento no último dia 26, durante cerimônia realizada no ginásio Pedro Dell’Antonia, em Santo André, onde foram premiados os vencedores da primeira e da segunda divisão dos jogos. O ponto alto do evento foi o apagamento da pira olímpica pelo ex-mesatenista Hugo Hoyama. O evento também marcou a “passagem de bastão” do ABC para a próxima sede dos Jogos Abertos do Interior: a cidade de Rio Claro, que receberá a 82ª edição da competição no ano que vem.
A cidade de São José dos Campos foi a campeã desta edição, fechando sua participação com 320 pontos. O segundo lugar ficou com São Bernardo do Campo, que obteve 266 pontos, e o troféu de terceiro lugar foi para São Caetano do Sul, que somou 179 pontos.

A história

Conhecida também como “Olimpíada Caipira”, a história da maior competição poliesportiva da América do Sul teve início em 1936, na cidade de Monte Alto (Região Metropolitana de Ribeirão Preto, a 360 quilômetros de São Paulo) sendo por este motivo que, até hoje, a tocha olímpica sai de Monte Alto, rumo à cidade-sede da competição. Nos primórdios os Jogos idealizados por Horácio “Baby” Barione, ex-jogador, e Manuel Carvalho Lima, então presidente da Associação Montealtense, levavam o nome de “Campeonato Aberto do Interior”, e reuniam seis cidades em um torneio de basquete.
Em 81 anos, apenas uma vez os Jogos não aconteceram: em 1989, por conta de uma greve de professores da rede estadual de ensino que inviabilizou a utilização das escolas estaduais como alojamento. Em 2017 o ABC foi palco para a 81ª edição dos Jogos Abertos do Interior Horácio Baby Barioni.

Fabio Palácio, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, fala sobre o evento.

 

MercNews – De forma geral, as expectativas dos gestores, atletas, comissão técnica e população foram atendidas?
Fábio Palácio – Nossa missão desde o começo foi realizar a melhor edição dos Jogos Abertos da História. O Governo do Estado reconheceu nosso esforço e confirmou que este é um novo modelo que pode ser utilizado nas próximas edições, comprovando que a organização compartilhada entre municípios foi uma decisão acertada do Consórcio. Recebemos elogios de todas as delegações, não apenas pela satisfação em poder disputar as provas em equipamentos esportivos de extrema qualidade, mas também pela participação de atletas olímpicos da região, como Diego Hypólito, Arthur Zanetti e Hugo Hoyama.

MN – Após o encerramento dos Jogos, quais resultados positivos podem ser traçados deste evento?
FP – Inovar é sempre um grande desafio. Nesta edição dos Jogos, nós inovamos em todos os sentidos, desde o início. O próprio Estado ainda não tinha a configuração de um instrumento jurídico para firmar convênio com um consórcio público. Além disso, o prédio do Consórcio sediou o Comitê Organizador da Competição, recebendo centenas de dirigentes, técnicos e atletas todos os dias, desde as primeiras horas da manhã até a madrugada. Também inovamos no campo tecnológico, com transmissões ao vivo das provas pelo Facebook, além de uma homepage e um aplicativo para informar em tempo real os resultados e trazer notícias sobre a competição, assim como informações sobre as cidades-sede. Este aplicativo permitiu que atletas e dirigentes pudessem calcular a distância entre os alojamentos e os locais de competição, facilitando o deslocamento entre as cidades da nossa região. Foi um desafio que deu certo.

MN – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas nestes dez dias de disputas?
FP – Antes de o Consórcio propor o modelo de sede compartilhada, o Governo do Estado reconhecia a dificuldade de organizar os Jogos Abertos neste ano. Além de aspectos financeiros apontados pelos municípios, havia também problemas na parte de infraestrutura, pois a competição envolve a participação de quase 15 mil atletas. Graças à articulação do Consórcio, conseguimos disponibilizar mais de 60 escolas para alojar os competidores e equipamentos esportivos adequados para o nível do evento. Superamos também outro desafio de edições anteriores dos Jogos, garantindo a segurança para todos os envolvidos, fruto do trabalho conjunto dos municípios. São conquistas que nos estimulam a levar a esta experiência em ações definitivas no Grande ABC.

MN – Qual legado os Jogos deixaram para a região do ABC?
FP – O grande legado da edição deste ano dos Jogos Abertos do Interior é a união dos municípios, que integraram a região por meio do esporte. Houve uma sinergia muito grande, graças ao envolvimento de dirigentes, atletas e da comunidade. A competição é sempre sadia, mas o trabalho conjunto dos municípios para a organização do evento provou que a nossa região é um celeiro de jovens promessas do esporte. O resultado final comprava isso, com três cidades classificadas entre as dez melhores de todo o Estado de São Paulo.

MN – Como resumiria o desempenho da 81ª edição dos Jogos Abertos do Interior?
FP – Fizemos história, pois reinventamos uma maneira de garantir a continuidade de uma das competições esportivas mais tradicionais do país, mesmo em tempos de dificuldades financeiras. Inovamos em tecnologia, beneficiando atletas, dirigentes e torcedores. Também demonstramos que o Consórcio está preparado para grandes projetos e desafios, saindo de um período em que a entidade teve uma atuação mais discreta para mostrar capacidade de executar políticas públicas regionais.

MN – Como avaliou o preparo das equipes do ABC nas disputas?
FP – O resultado final dos Jogos Abertos, com três cidades da região entre as dez melhores classificadas, demonstrou o tamanho do envolvimento do ABC, com a competição. Desde os atletas mais jovens aos mais experientes, dos amadores aos de alto rendimento, ficou evidente a dedicação de todos. O fato de Diadema ter ficado de fora da organização surtiu efeito negativo para o município. Por ter deixado o Consórcio, a cidade não teve suas equipes técnicas envolvidas com o evento. Na classificação final, enquanto os municípios consorciados melhoraram seu desempenho, infelizmente Diadema caiu na tabela em relação ao ano passado.

MN – A atuação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC nos jogos pode simbolizar unificação das novas gestões? Ou seja, as seis cidades consorciadas estiveram em sintonia?
FP – O sucesso da organização dos Jogos Abertos é um marco para trabalharmos a regionalidade, uma bandeira que está presente desde a fundação do Consórcio Intermunicipal e que tem ganhado cada vez mais peso com os atuais prefeitos da nossa região. Estamos concentrando nossos esforços para trazer ainda mais conquistas para o Grande ABC nas mais diferentes áreas, como Saúde, Segurança, Educação e Mobilidade, entre outras. Gostaria de parabenizar todos os funcionários do Consórcio pelo envolvimento na organização dos Jogos Abertos e também os integrantes Grupo de Trabalho Esporte, que atuaram com muita sinergia desde a preparação para o evento, que começou meses atrás. O envolvimento de todos estes profissionais foi fundamental para o sucesso da competição.

Compartilhar isso

Comentário

Comentários