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Elaine Bandini

Quantos universos cabem dentro do imaginário de uma pessoa? No caso dela, a resposta é: Infinitos! Responder o motivo que levou a “dentista” a se tornar “escritora” (duas personas dentre várias dentro de uma única mulher) não é uma pergunta simples de ser respondida. Particularmente acredito que a alma inquieta, curiosa e sonhadora tenha contribuído para isto. Tudo ganha cor, gestos, movimento e personalidade própria para ela, até mesmo os seres inanimados. Uma mulher guiada pela paixão pelo mundo. Alma livre para sonhar e viver todas as experiências a que seu pensamento a levar.
Aos 51 anos, Elaine Bandini vive o turnpoint (momento de virada) de sua vida, dividindo-se entre o amor pela Odontologia – ofício que encara como arte, e a paixão pela escrita, que alimenta há muito tempo, e que ganhou forma agora com o lançamento de seu primeiro livro: “Uma Passagem Só de Ida” – romance ficcional.

Por Mariana Fanti

Nascida em Santo André, Elaine Bandini aprendeu desde cedo o valor do estudo. É com muito orgulho que ela fala sobre a educação assistida que teve por parte de seus pais, que, sobretudo, sempre foram muito atenciosos e exigentes nesta área. “Eu me lembro com carinho da minha mãe tomando as lições, revendo as tarefas da escola”, conta. “Encapávamos juntas meus livros, escolhíamos o plástico e minha mãe fazia uma capa bonita. Foi assim que aprendi a amar os livros e ser grata pela oportunidade do estudo em minha vida”, revela.
A escritora conta que foi de pequena que despertou para o mundo da literatura: “eu percebia que algo que merecia tanto cuidado e reverência (os livros) só poderia mesmo ser algo muito bom, e quando comecei a ler e escrever, um mundo de possibilidades foi se revelando”, diz.
Além de sua mãe, outros personagens exerceram papéis fundamentais na vida desta mulher, entre eles duas professoras autênticas, entusiastas do ensino! “A professora Eni – uma “fera” no Português, lembro-me da maneira como ela conseguia se comunicar com os alunos. Ela interrompia a aula e mandava: ‘fulano onde está o sujeito desta frase?!’ Cobrava os alunos da mesma maneira que minha mãe fazia com a tabuada lá em casa, aquilo era divertido, inesperado”, conta.
“Já no colégio, a professora Neidinha; como a chamávamos… Impossível esquecer as aventuras de Camões, que ela contava com a desenvoltura de quem sabia de cor. Era uma senhorinha miúda e elegante, que falava de Literatura para uma classe de adolescentes, com os hormônios à flor da pele, e recitava de maneira apaixonada os sonetos de Vinicius de Moraes”. Tais referências foram fundamentais na vida daquela garota.

Respirando Arte
Literatura e música sempre se confundiram no imaginário da dentista, que cresceu ao som de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil, Tom Jobim, Ivan Lins, Milton Nascimento e Maria Bethânia. Tudo isso mesclado com Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Virginia Wolf, e a lista não tem mais fim. “Dentro da versatilidade da arte, em todas suas formas, eu me sinto tocada. A Literatura me acompanhou a vida toda”, revela.

A Dentista
Enquanto muitos veem na Odontologia uma profissão engessada – com o próprio rigor exigido dos profissionais da Saúde -, Elaine discorda e acrescenta: “acho uma profissão criativa, onde arte e saúde se misturam”. Descreve o mundo a partir de sua ótica dinâmica e apaixonada. Imprime a tudo que faz a sua personalidade própria.
Certamente reconhece o valor e importância da profissão, em sua vida. “A Odontologia, sem dúvida nenhuma, me deu tudo que tenho hoje”, explica, reforçando que ainda exerce a profissão com a mesma paixão de sempre.

A Escritora
Em 2016, Elaine escreveu o livro “Uma passagem só de ida”, publicado pela editora portuguesa, Chiado. A partir de então, a atividade literária foi ganhando espaço cada vez maior em sua vida, e em sua agenda.
A “Passagem”, como Elaine se refere ao livro, é uma narrativa de caráter ficcional contada em primeira pessoa, ao estilo de romance psicológico, onde as motivações internas da personagem orientam suas atitudes e definem seu comportamento. No enredo a protagonista envolve o leitor em suas reflexões, permitindo assim que este “perceba-se através da personagem e, a partir desta identificação, o leitor experimenta as vivências da personagem como se fossem suas”, explica.

Metas
Enquanto autora, seu principal objetivo hoje é alcançar as pessoas. “Eu desejo que o leitor se identifique com a personagem, que tenha prazer durante a leitura”, acrescenta.
Após ser lançado na livraria Martins Fontes, na capital, em maio último, haverá outra noite de autógrafos, desta vez em Santo André, neste mês de julho, no café The Coffee is on the Table e, depois, a autora seguirá a agenda da editora. “Eu me sinto muito honrada com a presença das pessoas que comparecem (às noites de autógrafos), e aproveito esta oportunidade para manifestar meu carinho a todos que têm prestigiado meu trabalho”.
Elaine tem um perfil no Facebook , criado com o objetivo de divulgar seu trabalho, e através do qual se relaciona de maneira direta com seus leitores. “O público vem se agradando das coisas que eu escrevo e isso é muito gratificante”, garante, dizendo que a princípio ficou muito surpresa com a repercussão. “Para mim o ‘face’ era um mundo novo e de repente eu estava recebendo mensagens de internautas não só do Brasil, mas de vários países. Foi uma experiência sensacional”.

Em plena produção
O fato é que Elaine – que tem no desenho outra paixão – já iniciou dois novos trabalhos de Literatura, que vai dando forma entre um paciente e outro, um deles voltado ao público infantil. “Tudo vem acontecendo naturalmente e tenho vivido cada momento com entusiasmo e simplicidade. Sinto-me agradecida à vida pela oportunidade de percorrer este novo caminho. Estou feliz com os resultados”, explica. “Sinto que escrever é o que quero fazer até o fim da minha vida”, completa.

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