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17 abril,2021, sábado
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Vai passar! Unido, Grande ABC se destaca na luta contra o coronavírus

Bom seria se no título desta matéria pudéssemos estampar que passou, acabou, zerou ou usar qualquer outro adjetivo que neste momento fizesse a todos respirar de alívio e alegria com o fim da pandemia ou, pelo menos, comemorar a queda no número de infectados ou ainda destacar o número de recuperados, o que é sempre uma boa notícia e, por felicidade, também acontece. Mas, infelizmente – ao menos por enquanto -, não é esta a manchete.

Pelo contrário, no dia 29 de março último, fim do segundo tempo para fecharmos esta edição da MercNews, e quando a fase mais dura de restrição no Grande ABC apenas havia começado, sequer pudemos trazer números melhores. A boa notícia é que a vacinação caminha bem em toda a região, inclusive com calendário antecipado. No mais, distanciamento social e demais cuidados só dependem do cidadão.

Mas, como no velho dito, esperança é a última que morre e existe para se ter. Assim, neste momento tão sombrio, em que as sete cidades da região se juntam nas medidas em prol de garantir um cenário mais leve para todos, ainda que isto demore algum tempo, não poderíamos deixar de salientar o trabalho hercúleo que vem sendo desenvolvido pelo Consórcio Intermunicipal ABC e prefeitos de cada cidade em busca de vacinas e medidas várias que possam proteger a população. E mais: não poderíamos deixar de enaltecer a labuta e o esforço dos secretários de Saúde de cada uma delas, essenciais à frente desta guerra contra o invisível.

Enfim, unido, o Grande ABC se destaca na luta contra o coronavirus.
Não há bola de cristal, e é difícil agora prever o que vem por aí. Mas, ainda assim, a Revista ‘ousou’ convidar cada um dos secretários de Saúde para falarem do que vem sendo feito nas suas cidades, sobre seu sentimento neste momento, e se ‘enxergam uma luz no fim do túnel’.

Desse modo, com apreço a todos pelo trabalho que vêm desenvolvendo, MercNews traz nas próximas páginas Marcio Chaves Pires, Geraldo Reple Sobrinho, Regina Maura Zetone Grespan, Rejane Calixto Gonçalves, Celia Cristina Pereira Bortoletto, Audrei da Rocha Silva e Maria José Pereira Zago, respectivamente secretários da Saúde de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, em nome dos quais presta homenagem, também, a todos os profissionais de Saúde do Grande ABC.

E, sim, vai passar!!!

Da Redação

Santo André

Marcio Chaves Pires
Graduado em Administração, com pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas, Chaves, que já atuou como secretário municipal em outras áreas e em diferentes prefeituras municipais da região e interior, além do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, diz que, de início, não se sabia com o que se estava lidando e ainda se as medidas adotadas poderiam não ser as mais adequadas. “Aí entra o trabalho em equipe, ouvir os especialistas, observar as ações de outras localidades que estavam vivendo a pandemia, traçar cenários, planejar, decidir e agilizar providências. Felizmente, contamos com a liderança e a sensibilidade do prefeito Paulo Serra, que mobilizou o governo para enfrentamento da pandemia.

Hoje posso afirmar que realizar e executar esse plano de enfrentamento, com uma série de variáveis e informações desconhecidas, é o maior desafio da minha vida como gestor público. Do ponto de vista profissional, aprendi que é preciso se antecipar aos fatos, planejar as ações com foco no problema. Que é sempre bom acreditar no compromisso e solidariedade das pessoas. O empenho e o comprometimento dos trabalhadores da saúde envolvidos neste trabalho me sensibilizam a cada dia.

Do ponto de vista pessoal, estou aprendendo a praticar o consumo consciente, a valorizar os pequenos gestos do dia a dia nas relações interpessoais e que as atitudes individuais têm um peso enorme no bem-estar coletivo. O combate ao novo coronavírus me faz acreditar ainda mais que a saúde das pessoas depende de um meio ambiente saudável, do sentimento de empatia coletivo e da valorização da vida”.

Segundo o secretário, o mês de abril é imprevisível. “Tudo vai depender do nível de adesão da população às medidas de distanciamento social adotadas para frear a escalada de casos. E sim. Acredito que a luz no fim do túnel é a velocidade da vacinação. Quanto mais vacinarmos, mais rapidamente venceremos esse inimigo terrível e invisível. Enquanto não garantirmos vacinação a todos, corremos o risco de não acabarmos com a pandemia”.

São Bernardo do Campo

Geraldo Reple Sobrinho
Graduado em Medicina e mestrado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC, Reple, que atualmente ocupa também a presidência do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo – COSEMS/SP, diz que a pandemia está sendo algo realmente desafiador. “Em todos os meus anos de profissão nunca passei por algo assim, muito menos da forma avassaladora que vem acontecendo. É uma situação nova, que contraria tudo o que se conhecia de medicina e administração pública. Tivemos que agir com rapidez, criando novos leitos e tomando as medidas necessárias. Mesmo assim, o avanço da pandemia é assustador.

Tudo isso serviu para mostrar a importância do nosso SUS. O patinho feio virou o patinho bonito. Se não fosse pelo SUS, estaríamos em uma situação muito pior.

A luz no fim do túnel, sem dúvida, é a vacinação. O estado de São Paulo está avançando bem junto às faixas etárias e nossa meta é chegar o mais rápido possível na população de 60 anos, que hoje representa cerca de 85% das pessoas que mais padecem da doença.

Apesar de tudo, temos que ser otimistas. Teremos um ou dois meses de muita dificuldade pela frente e por isso temos que fazer a nossa parte, usando máscara e fazendo o distanciamento social, para voltarmos o mais rápido possível à normalidade”.

São Caetano do Sul

Regina Maura Zetone
Médica, com mestrados na UNIFESP e FGV, Regina Maura, que já ocupou o cargo em outras gestões, diz que trabalhar como secretária de Saúde neste momento de pandemia tem sido uma experiência de crescimento profissional que requer muita coragem, dinamismo e equilíbrio emocional. “Passamos por momentos de muita tensão, pressão, incertezas e, até mesmo, de desespero. Assistir à evolução dessa doença, que não tem tratamento específico, e saber que as únicas formas de combater a pandemia não estão em nossas mãos (medidas de higiene, uso da máscara, isolamento social e vacinação), dá uma sensação de impotência. É extremamente frustrante.

Vendo as imagens da TV e dos hospitais, com pacientes nas macas, com falta de ar, nos mostra que chegamos no momento que nem sequer a assistência mais adequada podemos oferecer. Mesmo possuindo recursos materiais, o volume de pessoas que precisamos atender não nos permite dar a atenção que deveríamos dar a cada um. Abril será um mês com muitos óbitos e registros de novos casos. Acredito que estes números só vão começar a estabilizar do fim de abril para maio. E, mesmo assim, em um patamar alto.

A única esperança é vacinar toda a população dos municípios. Gostaríamos muito que conseguíssemos comprar as vacinas para imunizar toda a nossa população até o fim de maio”.

Diadema

Rejane Calixto Gonçalves
Médica, com especialização em Saúde Coletiva e Direito Sanitário pela Universidade de São Paulo, é médica de carreira da prefeitura da capital há 35 anos. Desde janeiro último ocupa o cargo de secretária de Saúde do município.

Mauá

Célia Cristina Pereira Bortoletto
Dentista, com especialização em Saúde Pública e Gestão Pública, Célia observa que ser secretária da saúde é poder defender e implementar a maior política pública do País, o SUS (Sistema Único de Saúde). “Apesar de ser uma política relativamente nova, pois foi na Constituição de 1988 que nasceu, ainda necessita de muitos esforços para a sua consolidação. Mas, trabalhar em defesa do SUS significa acreditar que é possível ter saúde para todos, apesar de que hoje só se fala em doença.

Reverter esse processo, garantindo acesso aos serviços públicos de forma equânime é um exercício diário. Buscar financiamento para tornar possível o maior plano de saúde do País, que garante desde consulta médica até transplante, não é um exercício fácil, porém não me desanima. Estar secretária quando vivemos a maior pandemia do século é mais do que desafiador. É tentar convencer a todos das necessidades básicas de uso correto de máscara, higiene das mãos, uso de álcool gel e distanciamento físico. E ainda saber e gritar que somente com a vacina para todos é que teremos alguma chance de melhores indicadores de mortalidade e morbidade.

Portanto, os próximos meses ainda não terão a tão esperada luz no fim do túnel. Será preciso conscientizar a cada dia a população de seu papel e do que precisa ser feito. As pessoas precisam ter em mente que são os responsáveis diretos para que a saúde que desejamos possa ser de fato implementada, exigindo seu direito e cobrando para que isso ocorra todos os dias”.

Ribeirão Pires

Audrei da Rocha Silva
Graduado em Direito e em Administração de Empresas, especialista em Direito Médico e Hospitalar com MBA em Gestão de Saúde pela FGV, Audrei lamenta que as notícias não sejam boas. “Passamos por momentos tensos, momentos que praticamente é impossível prever nosso dia a dia. Estamos enxugando gelo. Precisamos que a população nos ajude, que tenha compaixão pela dor do próximo, porque hoje é o seu amigo que está infectado, precisando de ajuda e amanhã, pode ser você, seu pai, sua mãe. Se continuar desse jeito, nós não vamos ter leitos. Num dia eu consigo alocar todo mundo, no outro acaba ficando na espera.

Nós temos uma UPA que, teoricamente, é de transição, e ultimamente ela tem sido de leitos de enfermaria para covid. Então o que eu peço para a população é que fique em casa, que tenha nesse momento de bastante responsabilidade, que faça uma reflexão, se é necessário, de fato, sair de casa. Não brinque, esse vírus é invisível e quando você menos espera, ele pode te acometer. Estamos numa operação de guerra, um dia após o outro. A minha expectativa quando cheguei aqui, era que pudéssemos acolher todos, mas, infelizmente, a pandemia nos assola de maneira que nunca tinha visto em 10 anos de gestão na área de saúde. Minha equipe está cansada e transtornada com tantos óbitos, estamos dando o máximo possível, mas, infelizmente, não estamos conseguindo estancar essa quantidade de mortes que estamos tendo. Peço a Deus que me dê sabedoria, luz e que me ajude para que possamos continuar lutando por essas pessoas junto com a minha equipe. Estamos com uma grande expectativa que os nossos governantes consigam comprar essa vacina o mais rápido possível. Que consiga nos trazer esse alento de uma forma que consiga tranquilizar a população.

O prefeito Clovis Volpi vem diuturnamente se empenhando na compra de vacinas, na ampliação dos leitos, na busca também de recursos para o Município, mas, neste momento, não encontramos ainda uma saída. O nosso dia a dia não tem sido fácil. Então, o que eu peço é que fique em casa. Que nos ajude a lhe proteger, é o máximo que posso ver como luz no fim do túnel. Com o cenário atual que temos hoje, posso dizer que a luz no fim do túnel eu não encontrei ainda”.

Rio Grande da Serra

Maria José Pereira Zago
No fim de março, a secretária de Saúde de Rio Grande da Serra, Maria José Pereira Zago, pediu exoneração do cargo, após sofrer mal súbito em decorrência de hipertensão arterial. Ela deixa o posto em menos de três meses na função, em meio à atuação da pasta no combate à pandemia de covid-19.

 

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